O devir-golpe dos Verdes e o devir-gerencialista dos Golpistas

À comunidade univasfiana.

A 25 de janeiro de 2021, aqui estamos nós, empuxados para a órbita de um enorme erro político tramado nos subterrâneos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), talvez a maior capitulação de sua breve história. À maneira dos grandes golpes de conveniência – que transformam inimigos em aliados, traição em dever – vimos a oposição à gestão INTERVENTORA de Paulo César Fagundes Neves rachar após a demissão de seus asseclas que comandavam a vice-reitoria e as pró-reitorias de Ensino e de Extensão, cujos nomes evitamos mencionar. Do dia para a noite – sabe-se bem quantas caladas da noite são necessárias para produzir esse efeito semiótico – o reitor INTERVENTOR adequadamente criticado pelo desprezo que sempre demonstrou às decisões do Conselho Universitário (CONUNI), por espalhar mentiras nas mídias locais a respeito da atuação das/os nossas/os conselheiras/os, pela inaptidão para minorar os efeitos da pandemia de Covid-19 na vida universitária e pela completa incapacidade de comandar a administração da nossa instituição, tornou-se uma alternativa viável para setores que antes repudiavam-no.


Desembarcaram os golpistas e, na barca das oportunidades, subiram Daniel Salgado Pifano para vice-interventor, Adelson Dias de Oliveira para a Pró-Reitoria de Ensino e, para a Pró-Reitoria de Extensão, Lucia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira, eleita vice-reitora ainda em 2019 e golpeada por um infame processo jurídico que fez cair sobre nossa instituição essa intolerável exceção política, contra a qual cerramos nossos punhos e nos mantivemos altivos até aqui. É exatamente este o ponto de nossa indignação, o motivo da manifestação de nossa dupla oposição: tanto aos golpistas pro tempore que se apoderaram da nossa instituição por meio de conluios com os “coronéis” de Pernambuco, quanto ao gerencialismo “democrático” que perde de vista o juízo a respeito dos meios aos quais recorrem para perseguir seus fins.


Acusam-nos de não nos importarmos com a “Nossa Univasf” e de sermos partidários do “quanto pior melhor”. Contra nós, protestam: “temos que salvar nossos projetos”, “temos que salvar a UNIVASF”. A isso chamamos falência política, porque evidencia a incapacidade de notar que esse gesto de conciliação ampliará apenas o poder (ao menos num primeiro instante) dos setores governistas da oposição (ou do que era a oposição), ao passo que diminuirá o poderio político dos/as que tomaram para si a tarefa de arrancar as raízes do protofascismo que se instaurou em nossa instituição, repudiando a verdade, a política e as esquerdas. Dito mais precisamente, falência política porque está intimamente ligada à incapacidade de compreender que nossa tarefa não consiste em domar nossos inimigos políticos em seus territórios, mas em derrotá-los a partir do nosso.

Uma última palavra. Dentre nós, uma certa surpresa se deveu apenas à rapidez com que se quis convencer a todos de que esse erro era uma dádiva, quando a comunidade não foi chamada ao debate ante tal decisão, e em pleno momento em que a maior parte das/os docentes gozam suas férias, automaticamente alijados do debate. Rapidamente essa surpresa foi contrabalanceada pela velha suspeita acerca da elasticidade política dos Verdes (aliás, passou da hora de abandonarmos essa gincana de cores e utilizarmos nominações que definam, por exemplo, a defesa dos direitos trabalhistas, ou o repúdio à coisa pública e, até mesmo, a paixão pelos cargos e gratificações). Há, entretanto, muito mais arraigada do que essa surpresa e do que essa suspeita, uma certeza histórica. As núpcias entre partidos de direita e a esquerda gerencialista (parlamentarista, social-democrata) sempre produziram graves tragédias para os setores progressistas da sociedade.

Nos manteremos em pé e combativos enquanto durar esse breve futuro partilhado entre o INTERVENTOR e os Verdes, no qual o primeiro traga os legítimos vencedores da eleição para dentro do golpe e os últimos lhe dão em troca novos pulmões para perdurar a ilegitimidade política.

Indignada.

Assembleia Docente da UNIVASF de 25/01/2021

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