NOTA DA SINDUNIVASF SOBRE O ENSINO À DISTÂNCIA

O Ministério da Educação – MEC autorizou, por meio da Portaria nº 343, de 17 de março de 2020, a “substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus – COVID-19”.

É preocupante que o MEC tenha tomado tal decisão por meio de uma Portaria no contexto da quarentena imposta por autoridades públicas para evitar a propagação do novo coronavírus, pois a contaminação em massa da população brasileira sobrecarregaria o sistema de Saúde de Pública.

O isolamento social preventivo da população e a suspensão das aulas nos estabelecimentos de ensino não deveria oferecer a oportunidade para  implementação, ainda que provisória, do Ensino à Distância nas Universidades federais brasileiras sem um amplo debate com a comunidade universitária.

A Seção Sindical dos Doceentes da Univasf – SindUnivasf vê também com preocupação a iniciativa da Univasf de iniciar, por meio do Ofício Circular nº 17/2020, um levantamento de professores interessados em oferecer aulas em meios digitais, em substituição das aulas presenciais enquanto durar a situação de pandemia do novo Coronavírus – COVID-19. Qual o intuito do aligeiramento e antecipação do semestre? Como ficam os estudantes sem condições logísticas para assistir essas aulas? Vamos dar aulas para uns e depois para os outros ampliando a jornada de trabalho? Haverá calendários diferenciados?

A adoção do Ensino à Distância, mesmo que durante a pandemia do novo coronavírus e em caráter experimental, sem a preparação devida de docentes e discentes pode vir a comprometer o aproveitamento pedagógico. Apesar do EaD representar uma alternativa pedagógica importante proporcionada pelo avanço dos meios de comunicação digitais, nem todos os estudantes tem condições materiais de acesso à internet ou têm acesso precário. Por isso sua implantação deveria ser precedida de um amplo debate pela comunidade acadêmica e avaliação dos possíveis impactos.

EaD não pode ser visto descolado das tendências que o capital coloca hoje para o campo educacional e sua adoção implica em possíveis efeitos que devem ser ponderados como: flexibilização das relações de trabalho, precarização do trabalho docente, com aumento da jornada, empobrecimento teórico-metodológico dos conteúdos e perda de autonomia docente. No atual contexto pode claramente oferecer  oportunidade para aprofundamento do processo em curso de precarização das Universidades, redução orçamentária e dos quadros de Docentes e Técnicos, pavimentando o caminho para a privatização parcial ou total das Instituições Federais de Ensino Superior.

Juazeiro/Petrolina, 23 de Março de 2020

 

Diretoria Executiva da Sindunivasf – Gestão Resistência

Prof. Vanderlei Souza Carvalho – Presidente

Prof. Átila de Menezes Lima – Vice-Presidente

Profª. Júnnia Maria Moreira – 1ª Secretária

Prof. Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior – 2º Secretário

Prof. João Alves do Nascimento Júnior – 1º Tesoureiro

Prof. Erlon Rabelo Cordeiro – 2º Tesoureiro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: