Em defesa do ensino público e laico

Nestes últimos dias se confirmou o convite do candidato Fernando Haddad para que o educador e filósofo Mario Sergio Cortella seja seu Ministro da Educação em um eventual governo petista (link da campanha oficial de Haddad: https://www.obrasilfelizdenovo.com/haddad-convida-mario-sergio-cortella-para-ministerio-da-educacao/). Cortella se sentiu honrado com a menção de Haddad, mas , por ora, recusou o convite para o ministério (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/cortella-diz-ser-grande-homenagem-mencao-de-haddad-mas-nega-convite-para-ministerio.shtml).

Enquanto isso, assistimos com enorme espanto e preocupação as declarações de Stavros Xanthopoylos, consultor na área de educação da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, segundo o qual, em um eventual governo do deputado federal, serão fixados critérios para financiamento de pesquisas nas universidades federais para priorizar áreas de “valor intelectual agregado”. Questionado se estudos no campo de humanidades, por exemplo, estariam ameaçados, ele disse que serão “redimensionados” (https://oglobo.globo.com/brasil/financiamento-publico-vai-priorizar-pesquisas-de-valor-intelectual-agregado-diz-campanha-de-bolsonaro-23058853).

Se não bastasse, o general Aléssio Ribeiro Souto, que está à frente do grupo que elabora propostas para o Ministério de Educação de um eventual governo de Jair Bolsonaro e é cotado para ser seu ministro, afirmou nesta segunda-feira (15) em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,e-preciso-nova-bibliografia-para-escolas-diz-assessor-de-bolsonaro-para-a-educacao,70002547417) e:

  1. “há preferência do grupo por manter educação e ciência e tecnologia separados”, além de preconizarem “que esporte e cultura devam estar dentro do Ministério da Educação”;
  2. “alteração da formação das licenciaturas”;
  3.  “revisão completa dos processos educacionais da base curricular”;
  4. em relação às cotas, diz que “[n]ossa proposta é a prevalência do mérito” e que no seu “dicionário, não pode ter cor para o ser humano”;
  5. quanto ao Prouni e Fies, afirma que é “preciso continuar o financiamento do estudo”, mas que o “País nunca vai transformar os pobres em ricos. Não é todo mundo que chegará lá”;
  6. diz que “[é] muito forte a ideia básica de revisão dos processos curriculares, das bibliografias. Isso precisa ser muito cuidado para não termos absurdos que vimos na TV como livros distribuídos para crianças de sete anos que deixa mães estupefatas. Determinadas coisas são responsabilidade dos pais. A escola tem de tratar do problema, mas não tem de influenciar para uma direção ideológica. E, nesse sentido, estamos colocando uma revisão completa dessas questões curriculares”; com o objetivo de “Impedir que tenhamos na escola a orientação de um determinado partido ou corrente ideológica em dado momento. Isso é inaceitável. Foi pregado pelo Bolsonaro que ele vai combater num eventual governo dele a ideologização das escolas, a transmissão das questões relacionadas à sexualidade, à ideologia de gênero, que é um direito inalienável dos pais. Ele transmitiu isso e por isso me convenceu de que eu poderia contribuir para a campanha dele”;
  7. questionado sobre a possibilidade de um pai desejar que o professor ensine criacionismo em vez de a teoria da evolução, respondeu: “Isso que eu saiba não está errado. Foram questões históricas que ocorreram. Se a pessoa acredita em Deus e tem o seu posicionamento, não cabe à escola querer alterar esse tipo de coisa, que é o que as escolas orientadas ideologicamente querem fazer, mudar a opinião que a criança traz de casa. Cabe citar o criacionismo, o darwinismo, mas não cabe querer tratar que criacionismo não existe”; instado sobre a não existência do criacionismo no currículo escolar, respondeu: “A questão toda é que muito da escola na atualidade está voltada para a orientação ideológica, tenta convencer de aspectos políticos e até religiosos. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu”;
  8. indagado sobre sua intenção manifesta “de retirar livros que não contassem “a verdade” sobre 1964, afirmou: “[a] única coisa que vou falar sobre 64 é que eu só aceito ler e debater aspectos do regime de 64 à luz da liberdade e de praticar a verdade, a coragem e a ética. Fora disso, sequer aceito a ideia de debater”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: