Manifesto contra o fascismo

A SindUnivasf vem a público manifestar sua mais profunda preocupação com os rumos de nossa Democracia. As declarações racistas, homofóbicas, machistas, misóginas e elitistas do candidato Jair Bolsonaro não só colocam em xeque o Estado Democrático de Direito, como incitam a banalização da violência em nossa sociedade. Temos acompanhado com terror a proliferação de intoleráveis violências cometidas contra eleitoras/es de Fernando Haddad, contra nordestinas/os, indígenas, negras/os, lésbicas, gays, beneficiários do bolsa família. O fascismo se torna a cada instante mais evidente, uma vez que a crise econômica e política que assola a todas/os nós vem sendo colocada na conta de segmentos minoritários (no sentido qualitativo do termo) da sociedade. A combinação de medo (o mais perverso dos afetos) e identificação de culpados (os “inimigos da sociedade brasileira”) promove não só a cisão do tecido social, mas a perseguição de minorias que se veem cada vez mais desprotegidas politicamente. Afirmar que não se pode responsabilizar as declarações do candidato Jair Bolsonaro pelas violências que assistimos a cada instante é perder de vista os efeitos que as palavras de ordem das lideranças políticas promovem no tecido social.

Grande parte do eleitorado brasileiro, responsável por colocá-lo na liderança das pesquisas de intenção de voto, confia que ele poderá, como um salvador da pátria, resolver nossas mazelas sociais. Suas genéricas palavras de ordem contra a crise econômica e a insegurança social, combinadas à defesa de valores morais que violentam minorias políticas, aparecem como solução mágica. Assolada no medo social (do desemprego, da criminalidade, da perversão dos costumes), parte importante da população brasileira se agarra às propostas mais absurdas pronunciadas por esse candidato.

Historicamente, a combinação de medo social com esperança redentora nos fez abandonar a capacidade crítica de compreender as contingências estruturais que impedem soluções mágicas. Nos fez seguir lideranças irresponsáveis e antidemocráticas. Nos fez, finalmente, aderir à superstição do salvador da pátria.

Vivemos à beira do abismo fascista, pois essa conformação social aparece, historicamente, toda vez que o medo social copula com esperança supersticiosa, fazendo proliferar o ódio a minorias desprotegidas politicamente.

Que as forças democráticas se unam contra o intolerável.

Adalton Marques

Presidente da SindUnivasf

Gestão Edu(Ação) – fev.2018-fev.2020

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