Arte e denúncia: outras memórias do São Francisco

De 5 a 10/3 na COHAB MASSANGANO. De 12 a 16/3 no Espaço Plural, UNIVASF.

 

Elson de Assis Rabelo

Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco

 

Numa manhã de março de 1984, apareceram boiando nas águas do rio São Francisco nada menos que 300 toneladas de peixes, mortos pelo veneno conhecido como vinhoto, num desastre ambiental de proporções nunca vistas nessa área do Brasil.

Apuradas as causas, foi descoberto que a substância tóxica era decorrente da produção da cana-de-açúcar no meio rural. No riacho Tourão, afluente do São Francisco, estava situada uma barragem de contenção do vinhoto que arrebentou e permitiu que o veneno chegasse até às cidades de Petrolina, Juazeiro e Curaçá.

O que poderia fazer a arte, diante de uma situação de tal gravidade?

Esse acontecimento catastrófico que chocou a sociedade local desencadeou a criação do Movimento de Defesa do São Francisco (MDSF), organizado por artistas, educadores e comunicadores. No contexto da redemocratização do país, ao final da ditadura militar, o movimento conseguiu organizar passeatas, elaborou material de divulgação, promoveu eventos, foi às ruas, às escolas, ao rádio e aos jornais, em busca de alertar à sociedade sobre os problemas ecológicos daquele momento e que, até os nossos dias, ainda se fazem sentir.

Estavam em questão os riscos sofridos pelo São Francisco, principal rio do semiárido brasileiro, e que, desde a chegada da agricultura irrigada e das barragens, sofria com a poluição, o desmatamento e o risco de escassez de água.

Nesta exposição, vemos desenhos e textos elaborados pelos integrantes do MDSF, especialmente o artista Antônio Carlos Coelho de Assis (Coelhão), e fotos tomadas por Euvaldo Macedo Filho, o fotógrafo que, anos antes, havia prenunciado os perigos do desenvolvimento inconsequente no sertão. Além de propor uma memória sobre o Movimento, nosso principal intuito é levar à reflexão e à ação críticas sobre nossas relações com o ambiente que não apenas nos rodeia, mas faz parte de nós, interage conosco: rio, terra, ar, fauna e flora.

A exposição é o resultado do levantamento da documentação produzida pelo MDSF, em trabalho de pesquisa do discente do Curso de Artes Visuais da UNIVASF Isaac Paulo Saraiva, com bolsa da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco. O projeto curatorial foi coordenado pelo professor Elson Rabelo e desenvolvido pelos discentes do Núcleo Temático Lugares Sociais da Arte: Fernando Pereira, Gabriela Nogueira, Rafaela Novaes, Thiago Alves e Geisiane Alves. A exposição tem apoio da Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias, da Pró-Reitoria de Extensão da UNIVASF.

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