Medicina em Petrolina: Por que continua tão desumana, insensível e desrespeitosa com os clientes? (TPD. n. 12)

n.º 12, 02/12/2017*
 “TEXTOS PARA DISCUSSÃO” (TPD) é uma publicação da Seção Sindical dos Docentes da UNIVASF**

 

por Luciano Juchem

​‌Prezados colegas,

Resido em Petrolina e trabalho na Univasf desde 2010, com muita tristeza percebo que a qualidade do atendimento nos serviços médicos da cidade pouco evoluiu de lá para cá. Tenho o hábito de realizar check-ups anuais como forma de prevenção e manutenção da saúde. Em 2008 quando tentei agendar as consultas, me deparei com o sistema de atendimento através das “listas de chegada”, algo perfeitamente aceitável e compreensível em atendimento de emergência, urgência ou mutirões de atendimento em locais onde ocorreram tragédias. Para o meu espanto, isto também era praxe nos agendamentos de consultas corriqueiras (particulares e através de plano de saúde). Comentando com amigos médicos de outras cidades, eles também acharam no mínimo “estranha” esta sistemática de atendimento em clínica. Confesso que fiquei vários anos realizando o meu check-up durante as férias para não precisar me submeter a esta sistemática, que é desumana e que gera prejuízos de toda ordem (financeiros, de produtividade, de qualidade de vida) para toda a sociedade. Acreditava que esta realidade iria mudar, afinal de contas, temos um curso de medicina na região (UNIVASF) e o mínimo que se espera é que ocorra uma evolução em termos de formação, atualização científica e de boas práticas profissionais na área. Infelizmente me equivoquei totalmente, se passaram 7 anos e muito pouca coisa mudou em termos de humanização e respeito ao consumidor/paciente da região. É verdade que em algumas áreas ocorreram mudanças, posso citar uma clínica cardiológica que atendeu a minha família com pontualidade e respeito em todas as fases do atendimento (agendamento, consultas, exames). Uma das especialidades do exame periódico da Univasf funciona com este tipo de serviço arcaico e desrespeitoso, por este motivo decidi utilizar o plano de saúde particular para não perder aproximadamente 6 horas do meu dia. Agora que eu e minha esposa estamos precisando de atendimento em diferentes especialidades, verifico que a evolução só deve ter ocorrido na clinica cardiológica que somos usuários. Ontem ficamos em um grande hospital da cidade, das 14:30 até às 18:40 para a realização da consulta (não era urgência)e isto não ocorreu apenas com a gente, todos os presentes passaram por este constrangimento e desrespeito. Hoje precisamos agendar um Raio X e pasmem, o exame também é feito por ordem de chegada! A pessoa precisa chegar às 7 horas da manhã e contar com a sorte, isto porque são feitos apenas 30 exames.
Gostaria muito de conhecer os motivos desta dificuldade dos responsáveis pelos serviços médicos da região (não todos, é claro) de sentirem EMPATIA e RESPEITO pelo USUÁRIO!
Qual a dificuldade em utilizar uma agenda e marcar os horários?
Quais as vantagens que existem na não marcação de horários?
Este tipo de atendimento traz algum benefício no restabelecimento do doente?
Melhora a organização da clínica?
Em termos terapêuticos, é desejável submeter o paciente a este nível de estresse e desconforto?
A humanização no atendimento é um placebo?
Alguma vez pensaram na confiança que o paciente/usuário vai ter na qualidade do diagnóstico e tratamento prescrito se ao chegar na clínica (muitas vezes fragilizado) ele se depara com esta completa falta de humanidade e de empatia no acolhimento?
Acredito que ninguém procura um médico por lazer, mas sim para tratar de uma doença ou tirar uma dúvida que está relacionada à sua VIDA, será correto oferecer tamanha desconsideração com esta pessoa?
Desculpem o desabafo, mas tenho certeza que este sentimento não é exclusivamente meu, duvido que alguém concorde com este descaso e desrespeito com o consumidor, estamos pagando e temos o direito de recebermos um atendimento de qualidade e respeito!
Se algum colega conhecer clínicas e especialistas cujo atendimento ocorra com horário marcado, por favor me avise, serei cliente e divulgador deste local!
Torço muito para que esta realidade mude, é terrível a sensação de que se você necessitar de atendimento médico, terá esta “qualidade” de atendimento!

Att

Prof. Dr. Luciano Juchem
Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF
Colegiado de Educação Física – CEFIS

 

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* Este é um espaço para publicação em fluxo contínuo de textos de docentes, técnicos e representantes estudantis da Univasf e outras instituições de ensino superior, bem como ativistas, intelectuais e colegas sobre a defesa da educação e da universidade brasileira pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade, bem como a construção de uma sociedade justa, solidária, plural e livre. A ideia também é de receber textos em vários estilos: ensaio, jornalístico, acadêmico, poético, desde que dentro do recorte editorial acima e respeitando-se o limite de 10 páginas. Os textos serão publicados na rede mundial de computadores, podendo também ser impressos e distribuídos dentro e fora do espaço universitário.
** As posições apresentadas nos artigos são de responsabilidade dos autores e não representam necessariamente a opinião da Diretoria Executiva da SindUnivasf.

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