A redação do ENEM 2017 (TPD n. 8)

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n.º 08, 06/11/2017*

“TEXTOS PARA DISCUSSÃO” (TPD) é uma publicação da Seção Sindical dos Docentes da UNIVASF**
por Karla Daniele Luz
Desde ontem recebemos inúmeras reverberações acerca do então surpreendente tema do ENEM… para quem milita em inclusão festa… para quem “estranha” inclusão críticas e disparates.
Há cerca de 19 anos trabalhamos com inclusão dentro e fora da universidade.
Nesses 19 anos não raras vezes ouvimos:
– Isso é uma assunto específico para se trabalhar!
– Inclusão é uma área de trabalho!
Absurdo…absurdo… absurdo..INCLUSÃO NÃO É CHAMADO MESSIÂNICO (com todo respeito aos que acreditam que possuem um ‘chamado’) INCLUSÃO NÃO É TRABALHO DE POUCOS É COMPROMISSO DE TODOS…e o ENEM veio trazer essa provocação…
Não raras vezes escutamos que nossos alunos universitários não precisam aprender inclusão especificamente (contrariando hoje a Lei 13.146/15)… Não raras vezes escutamos que nossos alunos veem inclusão em uma ou outra disciplina…
Aqui não se trata de ver inclusão, a partir da leitura de dois ou três textos muitas vezes de teóricos do vácuo…ver inclusão teórica não garante ao estudante uma formação que
o insira nas, já praticadas na Europa e nos EUA, práticas profissionais inclusivas.
Urge formarmos profissionais para HUMANOS tenham ou não deficiência.
Não, nossos alunos universitários não saem preparados para lidar com toda gente e infelizmente enquanto muitos de nós docentes acreditarmos que inclusão é trabalho específico…esses meninos serão profissionais limitados…prova disso é o constante pedido de ajuda e orientação que toda equipe do NPSI recebe de alunos egressos sobre como devem trabalhar com pessoas com deficiência.
A redação do ENEM foi difícil? Não. Foi “dificílima”, mas extremamente necessária para
provocar o pensamento que rume para uma sociedade “efetivamente” inclusiva. Não era para escrever sobre deficiência, nem sobre inclusão, nem sobre surdos, nem sobre surdos na escola.
Não era bastante que o aluno tivesse apenas lido (como alguns docentes defendem) sobre inclusão escolar de surdos…era preciso conhecer, saber e acreditar que surdos são incluídos quando sua L1/LIBRAS é respeitada e ensinada no contexto escolar. O maravilhoso mundo do conhecimento se abre para os surdos em LIBRAS e não em português.
A redação do ENEM foi um dedo na ferida excludente que nossa demagoga sociedade (a começar por mim e por você) insiste em perpetuar…essa redação veio dizer que inclusão não é teoria, não é apenas ler livros, não é evento, congresso, roda de conversa, bate papo e blá…blá…blá…
INCLUSÃO É A COMPREENSÃO MAIS PROFUNDA EM CADA UM DE NÓS QUE NÃO HÁ UM PADRÃO DE SER HUMANO MAS HÁ DIVERSAS FORMAS DE SER GENTE…DE ESTAR NOS MUNDO!

Peço desculpas, mas não pedirei desculpas pelas palavras. INCLUSÃO EFETIVA ESTÁ POSTA...quem não gostar ou questionar fique fora como fora ficaram as pessoas com deficiência ao longo da história…

Um fato curioso desde ontem temos presenciado quem geralmente se esquivou da inclusão efetiva tornar-se especialista em inclusão da noite para o dia…desde ontem temos visto quem se quer lembra que surdos existem agora falarem por eles…Não falemos por eles…
ELES FALAM! E nesse sentido cá entre nós SE OS SURDOS FESTEJARAM O TEMA DA REDAÇÃO quem somos nós ouvintes para questionar?
Tenhamos cuidado pois muitas críticas e questionamentos que estão nas redes sociais falam apenas da egoísta preocupação com o próprio umbigo.
Que venham mais…
Oxalá que em nosso país todo processo seletivo demande conhecimentos efetivos em inclusão daqui pra frente…

Boa semana inclusiva!
Profa. Karla Daniele Luz
Psicologia – Univasf – Campus Petrolina

SDVSF Textos p Discussão logo

 

* Este é um espaço para publicação em fluxo contínuo de textos de docentes, técnicos e representantes estudantis da Univasf e outras instituições de ensino superior, bem como ativistas, intelectuais e colegas sobre a defesa da educação e da universidade brasileira pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade, bem como a construção de uma sociedade justa, solidária, plural e livre. A ideia também é de receber textos em vários estilos: ensaio, jornalístico, acadêmico, poético, desde que dentro do recorte editorial acima e respeitando-se o limite de 10 páginas. Os textos serão publicados na rede mundial de computadores, podendo também ser impressos e distribuídos dentro e fora do espaço universitário.
** As posições apresentadas nos artigos são de responsabilidade dos autores e não representam necessariamente a opinião da Diretoria Executiva da SindUnivasf.

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