Abaixo qualquer manifestação racista – moções aprovadas na Assembleia Docente

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Do dia 14 para 15 de outubro, um sopro de indignação varreu a Univasf após a comunidade tomar conhecimento de uma postagem de uma professora da instituição nas redes sociais, sobre um colega que estaria desrespeitando a deliberação da assembleia dos professores de 11/10/2016 de aguardar o movimento de greve dos estudantes, e não forçá-los a ter aula enquanto o movimento durasse. A colega postou no dia 14/10/16, “Professor negro, capitão do mato… tsc tsc”. A Diretoria da SindUnivasf lançou no dia 16 uma nota sobre o episódio, que foi pauta de reunião do Grupo de Trabalho Ações Afirmativas, da SindUnivasf, em 19/10, sendo produzidas a partir dele, duas moções sobre o episódio. Elas foram submetidas à Assembleia dos Professores da Univasf desta terça, que ao final ficaram, depois de um debate de cerca de uma hora, com a redação que segue abaixo. A Assembleia se coloca à disposição dos professores envolvidos para se manifestarem, caso desejem, mas desde já firmemente se posiciona para que fatos desta natureza, em qualquer lugar, mas principalmente no que tange à comunidade univasfiana, jamais se repitam. Os professores reunidos repudiam veementemente qualquer tipo de manifestação de racismo, seja em que grau for. O racismo não pode ser tolerado. Ponto.

MOÇÃO DE REPÚDIO DA ASSEMBLEIA DOS PROFESSORES DA UNIVASF AO CASO DE INJÚRIA RACIAL OCORRIDA NA INSTITUIÇÃO

A Assembleia dos Professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco vem a público REPUDIAR o caso de injúria racial sofrida por um colega professor do campus Petrolina proferido por uma colega, do campus de Juazeiro, da mesma instituição.

De acordo com o artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, a injúria consiste em “ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. Além disso, “o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima”.

Em sua página de uma rede social, no dia 14 de outubro de 2016, a referida professora mostrou-se “indignada” pelo fato de que o professor estaria ministrado aulas durante o período de paralisação dos estudantes. Não satisfeita com sua postagem, a professora postou “Professor negro, capitão do mato… tsc, tsc (sic)”, em seus comentários, claramente referindo-se à etnia do professor. É de estranhar a atitude contraditória e desrespeitosa da professora para com o colega, uma vez que a mesma, aparentemente, tem se mostrado favorável à luta contra quaisquer formas de discriminação. Vivemos em um espaço universitário, no qual a construção e o debate de ideias fazem parte do ambiente sendo que, nem sempre, concordamos com a opinião e/ou posicionamento de nossos pares. Entretanto, isso não nos dá, em hipótese alguma, o direito de que discordemos em forma de ofensa pessoal, fazendo alusão à etnia, religião ou gênero, por exemplo.

Com base no supramencionado, esta assembleia repudia, veementemente, a atitude racista e discriminatória da professora, bem como quaisquer tipos de preconceito, atos de discriminação, independente da natureza, principalmente quando ocorrido no espaço universitário, onde deveria prevalecer a democracia, o diálogo e o respeito mútuo.

Por fim, esperamos que sejam tomadas as providências cabíveis relativamente a este lamentável episódio, a fim de coibir e desencorajar a repetição de acontecimentos similares.

Assembleia dos Professores da Univasf. Petrolina, 25 de outubro de 2915.

MOÇÃO DE APOIO DA ASSEMBLEIA DOS PROFESSORES DA UNIVASF AO PROFESSOR VÍTIMA DE INJÚRIA RACIAL

A Assembleia Docente da Universidade Federal do Vale do São Francisco, presidida pela Seção Sindical dos Docentes da Univasf (SINDUNIVASF) vem, a público, manifestar total APOIO ao professor do Colegiado de Medicina da UNIVASF, bem como à sua família e à comunidade negra da região, pelo caso de injúria racial proferida por uma professora da mesma instituição. O professor e sua família recebem o total apoio e solidariedade desta assembleia e desta Seção Sindical. Seguiremos envidando esforços para que episódios como estes jamais se repitam, integrando cada vez mais à nossa agenda e ao nosso fazer docente simultaneamente a igualdade e o direito às diferenças. É imprescindível que a administração superior, todos os colegiados e órgãos da Univasf tornem o combate ao racismo parte de sua missão.

Assembleia dos Professores da Univasf. Petrolina, 25 de outubro de 2915.

NOTA DA DIRETORIA DA SINDUNIVASF, 16/10/2016

A Diretoria Executiva da SindUnivasf condena perene, veemente e firmemente quaisquer expressões racistas. 

Dentro e fora da Univasf.

Ser negr@ não obriga ninguém a ser de esquerda, de candomblé, de movimento, de nada.

Cada pessoa precisa ser vista como algo muito mais complexo do que um aspecto.

Ressalte-se que na Univasf há inclusive uma tradição em consolidação de se falar em consciência(s) negra(s). Assim mesmo. No plural. Não sabemos a história de cada um e reduzir a pessoa a sua cor (ou sexualidade, religião, renda etc.) é estereotipar, e a postagem foi uma ofensa racial, independentemente das intenções. Independentemente das intenções não só o colega, mas a comunidade negra da região, especialmente os segmentos mais organizados, podem ter se sentido, sim, ofendidos.

Destarte, manifestamos, em primeiro lugar, solidariedade ao professor ofendido e à sua família, bem como à comunidade negra.

Rejeitamos e condenamos publicamente a postagem feita pela colega, a despeito de seu reconhecido apoio no combate ao racismo e empoderamento de minorias.

Recomendamos e sugerimos a tod@s @s interessad@s que participem da reunião do GT de Ações Afirmativas da SindUnivasf, a ser realizada na quarta-feira, 17h, na sede da seção. Ele existe desde dezembro do ano passado.

A promoção de ações afirmativas e o combate ao racismo integram o planejamento estratégico da SindUnivasf a partir de deliberação de assembleia, inclusive. E membros da Diretoria, ao longo de 2016, tem participado regularmente de debates e ações nesta seara.

Uma das premissas fundamentais deste trabalho é de ouvir e aprender com os movimentos sociais negros, que são veteranos nesta questão crucial para a democracia brasileira desde 14 de maio de 1888.

Que nossa indignação com o racismo em suas mais variadas manifestações vá além de manifestações na rede mundial de computadores. E sim que eduquemos noss@s filh@s e alun@s, companheir@s de trabalho, pessoas próximas (ou mesmo distantes) a jamais usar expressões como as usadas contra nosso colega negro.

Que sejamos capazes de trazer estas manifestações extraordinárias para nossa prática e discurso ordinário, diário, cotidiano.

Que nos mobilizemos em defesa da igualdade racial.

Que tenhamos a capacidade de ser solidários com noss@s colegas e estudantes negr@s da Univasf e de fora dela. Mas, principalmente, que sejamos capazes de ouvir, aprender e apoiar CONCRETAMENTE aqueles e aquelas que fazem da organização e promoção da população negra, uma questão de vida.

UNIVASF, 16 de outubro de 2016.

DIRETORIA EXECUTIVA DA SINDUNIVASF

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